jeudi 26 mars 2009

Arcadismo ou Neo-Classicismo


Cláudio Manuel da Costa, um dos fundadores do arcadismo mineiro

O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, caracteriza-se pela busca de restauração dos ideais de sobriedade e equilíbrio da antiguidade clássica em contraposição aos excessos do período anterior, o Barroco. O movimento é contemporâneo do Iluminismo, corrente de pensamento racionalista que se divulgou pela Europa no século XVIII e que culminou com a Revolução Francesa, em 1789. Associações de letrados como a Arcádia Romana e, mais tarde, a Arcádia Lusitana foram veículos importantes para a propagação do ideário do movimento na Europa. O nome "Arcádia" é inspirado na região lendária da Grécia que representa o ideal de comunhão entre homem e natureza, daí o Arcadismo ter como tema privilegiado o bucolismo, em que a natureza é vista como refúgio último das noções de verdade e beleza.
No Brasil, os poetas que melhor representam o movimento são Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, autor de Marília de Dirceu. Ambos participaram da Inconfidência Mineira, movimento político que visava a emancipação do Brasil em relação a Portugal. Os poemas laudatórios de Basílio da Gama e a produção poética de Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga também apresentam traços típicos do Arcadismo. Todos esses poetas concentravam-se na cidade mineira de Vila Rica, centro da atividade mineradora e mais importante centro urbano do país nesse período. No Rio de Janeiro, nos anos de transição entre os séculos XVIII e XIX, entre uma série de novidades de ordem política e econômica que começam a transformar a fisionomia do país, verifica-se o surgimento de diversos órgãos de imprensa. Nesse momento tardio do Arcadismo, têm destaque as figuras dos jornalistas Hipólito da Costa, fundador do jornal Correio Braziliense, e Evaristo da Veiga, cronista político do Aurora Fluminense.

Os antigos escritores gregos e romanos sintetizam o ideal de harmonia que os autores do período buscavam resgatar. Por isso eles também são conhecidos como neoclássicos. Tida como reduto por excelência do equilíbrio e da sabedoria, a natureza é a temática mais freqüente do Arcadismo. Em grande medida, é possível dizer que a poesia arcádica caracteriza-se por essa busca pelo "natural", ao qual estavam sempre associadas as idéias de verdade e de beleza.

Apesar de ter sido influenciada pela tradição poética do século XVI, cujo nome mais importante é Camões, e de apresentar resquícios do Barroco em certos casos, a poesia arcádica é um modelo de simplicidade e objetividade, se comparada com as obras do período anterior. Exemplos dessa simplificação da linguagem são a valorização da ordem direta, o verso sem rima, a singeleza do vocabulário e a menor incidência de comparações e antíteses – todos fatores identificáveis na produção poética do Arcadismo.

Essa liberdade formal, no entanto, era regida por normas consolidadas e formatos fixos que só começariam a afrouxar a partir do Romantismo. O soneto, por exemplo, era uma das formas mais empregadas, como se pode perceber pela obra de Cláudio Manuel da Costa. Também bastante utilizados eram a ode (composição poética dividida em estrofes simétricas, para ser cantada), a elegia (poesia sobre tema fúnebre) e a écloga (poesia pastoril).

Sem perder a impregnação religiosa nem o respeito à monarquia, os poetas do período abordaram assuntos mais imediatos e concretos do que seus antecessores. Fazem parte de seu universo temático o elogio da virtude civil, a crença na melhoria do homem pela instrução, a noção de que a harmonia social depende da obediência às leis da natureza, e a concepção da felicidade como conseqüência da prática do bem e da sabedoria. Todas essas idéias, em grande medida derivadas do Iluminismo, encontram expressão política na figura do Marquês de Pombal.

Secretário do rei D. José I, Pombal é a face portuguesa do "despotismo esclarecido" que vigorou em certos países da Europa nos séculos XVII e XVIII. Ele promoveu a reforma do ensino na Universidade de Coimbra, a reconstrução da cidade de Lisboa após o terremoto de 1755 e a expulsão dos jesuítas do território da coroa portuguesa. Também foi o maior mecenas das artes do período, o que justifica o apoio de poetas do Arcadismo à sua causa. É difícil compreender um poema como O Uraguai, por exemplo, longe desse contexto. Nessa obra épica, Basílio da Gama louva a política da coroa portuguesa de combate aos jesuítas, que são retratados de maneira impiedosa. Também O Desertor, de Silva Alvarenga, foi composto com o propósito único de cantar loas à reforma do ensino empreendida por Pombal.

O iluminismo pombalino caracterizou também a prosa do período. Ela se manifestava nas formas de sermões, discursos, panfletos e ensaios de jornal. Os escritos teóricos e científicos, em sua maioria produzidos em Portugal sob os auspícios do Marquês, também tiveram influência durante o Arcadismo, como atestam os manuais de poesia de Verney e Freire e os textos sobre a reforma educacional escritos por autores como Antonio Nunes Ribeiro Sanches. A prosa literária, no entanto, atingiu pouca expressão. Uma razão para isso é o fato de que a poesia era então considerada um meio adequado para a discussão de idéias de interesse público. Assim, diversos autores do período manifestaram-se sobre ciência, educação, filosofia, política ou até temas técnicos, como zoologia e mineração, em textos versificados.


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Neo-Classicismo em Portugal

Corrente estética surgida na arte ocidental na segunda metade do século XVIII que retoma os modelos formais do classicismo europeu e da antiguidade greco-romana, assumindo-se como reacção aos excessos estilísticos do barroco e do rococó. A ressurgência revivalista desses modelos fica a dever-se, em grande parte, a um conhecimento mais apurado da arte antiga, através das expedições arqueológicas conduzidas no âmbito ou à margem das campanhas napoleónicas na primeira metade do século. O neoclassicismo estende a sua influência à pintura, à escultura, à arquitectura e à literatura, convertendo-se rapidamente em estilo defendido pelas academias, chegando a confundir-se com a acção normativa destas instituições, na escolha de temas e estilos inspirados nos episódios mitológicos e na exaltação do heroísmo. A literatura deveria servir ideais cívicos, devolvendo-se-lhe uma dignidade que, assim consideravam os seus defensores, fora desdenhada pelo barroco. A recuperação de formas clássicas (a ode, a elegia, a epístola, a sátira, o epigrama, a tragédia, a comédia...), a concepção da arte como imitação da natureza, o ataque ao barroco, são as principais marcas deste movimento. Em Portugal, a implantação do neoclassicismo acompanha a difusão dos ideais iluministas, na sua defesa da razão, necessária para a validação das acções humanas na esfera política, social ou artística. A edição da Arte Poética de Cândido Lusitano, em 1748, assinala a introdução do neoclassicismo em Portugal, que encontraria os seus cultores em Correia Garção, Cruz e Silva e Reis Quita, entre outros.
Trecho de um poema de Du Bocage:
“Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel das paixões, que me arrastavaAh!
Cego eu cria, ah!
Mísero eu sonhava
Em mim, quase imortal, a essência humana!”

vendredi 6 février 2009

Etimologia - Estudo das Palavras



"Na história de uma língua, as palavras mudam de forma e significado, desaparecem umas e outras novas se incorporam ao idioma. Nenhuma, porém, surge do nada. Na antiga Grécia já se manifestava preocupação com a etimologia, tratada por Platão no diálogo Crátilo.

Disciplina da lingüística histórica, a etimologia pesquisa a origem e a derivação das palavras e freqüentemente lhes revela o significado primitivo. Durante muito tempo, o parentesco entre as palavras se explicava apenas pela semelhança entre elas. Embora incapaz de elucidar sistematicamente a origem das palavras, a etimologia popular tornou-se responsável por algumas formas que ocorrem atualmente.

A etimologia constituiu-se em ciência quando Jacob Grimm descobriu as leis fonéticas de seu próprio idioma e divulgou-as em sua Gramática alemã (1819-1822). Em 1836, Friedrich Christian Diez iniciou a publicação da sua monumental Gramática das línguas românicas, em que estabelece as relações entre as línguas latinas entre si com o próprio latim, por meio de leis fixas de precisão quase matemática. Desde então, a etimologia é uma das áreas mais importantes da lingüística.

Modernamente acredita-se que as leis fonéticas não são tão rígidas como se pensava no curso do século XIX, por influência da ciência e filosofia positivista. Os fenômenos lingüísticos estão sujeitos a desvios impostos por causas externas e de ordem psicológica. Nas pesquisas etimológicas não se pode prescindir das leis fonéticas. Por exemplo, uma lei fonética do português estabelece que a consoante "p" se transforma em "b" quando se acha entre vogais no meio do vocábulo. Assim, do latim lupus e ripa chega-se a "lobo" e "riba" em português. Nesse caso diz-se que houve um abrandamento (ou sonorização), pois o "b" é mais brando que o "p". No francês ouve-se um "v" quando em latim há um "p" na situação indicada: louve e rive correspondem em português a "loba" e "riba". Sob o domínio de outras leis fonéticas, o latim evoluiu, na Gália, para uma língua semelhante ao português mas diferente dele.

O estudo sistemático das leis fonéticas permitiu associar diversas línguas a um mesmo tronco: português, castelhano, provençal, francês, italiano, romeno etc. ao latim; inglês, alemão, sueco etc. ao germânico primitivo; russo, búlgaro, polonês, tcheco, servo-croata etc. ao proto-eslavo, e assim por diante. Chegou-se então a sugerir, o que na atualidade é universalmente aceito, que várias línguas antigas, disseminadas num território que se estendia da Índia à Europa, procediam de um tronco primitivo, denominado indo-europeu, que seria um idioma falado na área geográfica que compreende o oeste da Rússia. Por circunstâncias favoráveis inexplicadas, o indo-europeu foi levado para o sudoeste da China, para a Índia, e para o resto da Europa.

Nem todas as línguas dessa vasta área têm a mesma origem, como o extinto tocariano, falado ainda na China no século VII. Na Europa, o vasconço, o húngaro, o finês e o turco não são línguas indo-européias. Na Ásia, algumas línguas semíticas conseguiram suplantar os dialetos indo-europeus: tal o caso do hitita, que desapareceu totalmente e cedeu lugar, depois de séculos, ao fenício.

O grande progresso dos estudos etimológicos permitiu conhecer a origem da maior parte das palavras da língua portuguesa. Foi traçada a história de cada vocábulo, com as diversas formas que assumiu ao longo do tempo, seus vários significados e as relações com outras palavras, vernáculas ou estrangeiras. Para isso, é importante também determinar o estrato social em que evolui cada palavra. Por exemplo, a palavra portuguesa "lupino" (do latim lupinus) não sofreu as mudanças observadas em "lobo", por ter chegado à língua por via erudita.

As etimologias estudam-se em gramáticas históricas, em dicionários etimológicos ou em trabalhos assistemáticos. Diez publicou em 1853 o primeiro Dicionário etimológico das línguas românicas. Outros, mais completos, ou particulares a determinados idiomas, foram editados depois. Antenor Nascentes é o pioneiro entre os dicionaristas etimológicos de língua portuguesa (1932). José Pedro Machado publicou em dois volumes o Dicionário etimológico da língua portuguesa (1952-1956), em que lançou luz sobre o enorme contingente árabe do léxico português.

As palavras correntes do português são indiscutivelmente latinas, ainda que do latim o português não tenha herdado senão um vocabulário pobre, pequeno cabedal que se expandiu sem perder o cunho originário. Com relação à matriz tupi, obra meritória é o Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem tupi (1978), de Antônio Geraldo da Cunha."

EmDiv

jeudi 5 février 2009

Alceu Amoroso Lima

Alceu Amoroso Lima, nasceu na cidade fluminense de Petrópolis, a 11 de dezembro de 1893 . Filho de Manuel José Amoroso Lima e de Camila da Silva Amoroso Lima, faleceu no Rio de Janeiro, a 14 de agosto de 1893.

Eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 29 de agosto de 1935, foi empossado em 14 de dezembro de 1935. 

Cursou o Colégio Pedro II e formou-se em Direito pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1913.

Crítico literário e polígrafo adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde, que usou em múltiplas oportunidades. Engajou-se, em 1922, no movimento modernista. Nesse mesmo ano publicou o livro "Afonso Arinos"- estudo crítico sobre a obra do escritor mineiro falecido em 1916.

Em "Estudos" reuniu, em cinco séries, trabalhos datados do período 1927-1933.

Convertido ao catolicismo por influência direta de Jackson de Figueiredo, Alceu tornou-se um dos mais respeitados paladinos da Igreja Católica no Brasil. Assumiu a direção do Centro Dom Vital, que congregava os líderes do catolicismo no Rio de Janeiro.

Na década de 1930 é incansável a produção editorial de Alceu Amoroso Lima: "Introdução à Economia Moderna"(1930): "Preparação à Sociologia (1931); "No limiar da Idade Nova"(1935); "O Espírito e o Mundo"(1936); "Idade, Sexo e Tempo" (1938).

Com a morte do professor Miguel Couto em 1934, Alceu Amoroso Lima candidata-se à vaga deixada na Academia Brasileira de Letras pelo ilustre clínico. Eleito, tomou posse no ano seguinte.

Catedrático de Literatura Brasileira na Faculdade Nacional de Filosofia, foi um dos fundadores, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, da qual chegou a ser presidente e onde lecionou, também, como catedrático, a referida disciplina.

Alceu Amoroso Lima e Afrânio Peixoto eram concunhados e tiveram como sogro o autor do "Mauá", acadêmico, industrial e consagrado advogado Alberto de Faria.

Além dos livros acima citados, desenvolveu Alceu grande atividade jornalística e ministrou cursos sobre civilização brasileira em universidades estrangeiras, inclusive na Sorbonne e nos Estados Unidos. Patrocinou em múltiplas ocasiões as cerimônias de formatura de estudantes de diversas especializações que rendiam tributo à sua luta constante contra os regimes de caráter autoritário.

Gentileza Academia Brasileira de Letras www.academia.org.br



Centro Cultural Alceu Amoroso Lima
Biografia

Quarto ocupante da Cadeira 40, eleito em 29 de agosto de 1935, na sucessão de Miguel Couto e recebido em 14 de dezembro de 1935 pelo Acadêmico Fernando Magalhães. Recebeu os Acadêmicos Afonso Pena Júnior, Viana Moog, Gilberto Amado, Augusto Meyer, Dom Marcos Barbosa e José Américo de Almeida.

Alceu Amoroso Lima, nasceu na cidade de Petrópolis, a 11 de dezembro de 1893. Filho de Manuel José Amoroso Lima e de Camila da Silva Amoroso Lima, faleceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, a 14 de agosto de 1983.

Cursou o Colégio Pedro II e formou-se em Direito pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1913.

Crítico literário e polígrafo adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde. Em 1926 publicou o livro "Afonso Arinos"- estudo crítico sobre a obra do escritor mineiro falecido em 1916.

Em "Estudos" reuniu, em cinco séries, trabalhos de crítica datados do período 1927-1933, sendo considerado o crítico do modernismo.

Convertido ao catolicismo por influência de Jackson de Figueiredo, Alceu tornou-se um dos mais respeitados paladinos da Igreja Católica no Brasil. Assumiu a direção do Centro Dom Vital, que congregava os líderes do catolicismo no Rio de Janeiro.

Na década de 1930 é incansável a produção editorial de Alceu Amoroso Lima: "Introdução à Economia Moderna"(1930): "Preparação à Sociologia (1931); "No limiar da Idade Nova"(1935); "O Espírito e o Mundo"(1936); "Idade, Sexo e Tempo" (1938).

Com a morte de Miguel Couto em 1934, Alceu Amoroso Lima candidata-se à vaga deixada na Academia Brasileira de Letras pelo ilustre clínico. Eleito, tomou posse no ano seguinte.

Catedrático de Literatura Brasileira na Faculdade Nacional de Filosofia, foi um dos fundadores, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi Diretor de Assuntos Culturais da Organização dos Estados Americanos (1951).

Alceu Amoroso Lima e Afrânio Peixoto eram concunhados e tiveram como sogro o autor do "Mauá", acadêmico, industrial e consagrado advogado Alberto de Faria.

Além dos livros acima citados, desenvolveu Alceu grande atividade jornalística e ministrou cursos sobre civilização brasileira em universidades estrangeiras, inclusive na Sorbonne e nos Estados Unidos. Como articulista o Jornal do Brasil, destacou-se no combate ao regime militar.

www.academia.org.br/

mercredi 28 janvier 2009

O fazedor de humanos



As lições de um velho mestre incluem algo que deveria ser essencial para todos: a literatura

Renata Miloni


Em tempos que a ficção parece ser contínua apenas para aqueles que querem atingir um único público, o escritor carioca Rodrigo Lacerda publica um romance infanto-juvenil que deveria ser leitura essencial para jovens rabugentos e "adultos" rebeldes tentarem compreender certos valores da vida.

O fazedor de velhos (Cosac Naify, 2008) é o registro de alguns momentos decisivos da vida de Pedro. Desde criança, quando sua mãe obrigava tanto ele quanto sua irmã a fazerem sessões diárias de leitura, até a iniciação teórica da fase adulta. Teórica porque, segundo a "sabedoria popular", uma pessoa começa a se tornar adulta quando descobre o que realmente quer fazer. Por quantas portas essa descoberta pode chegar? E quanto tempo isso demora de fato?

Por seguir uma ordem cronológica natural, o início do livro, narrado pelo próprio protagonista, tende a se assemelhar com a suposta escrita de Pedro naquela época. Apesar de deixar claro que se trata de uma narração sobre o passado, o tom usado pelo autor tem essa pequena falha de se apoderar demais da forma expressiva do personagem na sua adolescência, por exemplo. É um ponto logo controlado e a história segue sobre outras fases, narrada devidamente consciente do momento em que se encontra seu dono.

A narrativa é bastante simples, o autor não tenta ir além do que a história pede, inventar novas estruturas ou seguir outros padrões. É exatamente a simplicidade que dá às palavras no livro todo esse encantamento, que muitos "marmanjos" podem considerar pequeno por falta de costume, presente de maneira mais intensa à medida que a inspiração aumenta.

No último ano do colegial, Pedro se apaixonou por sua melhor amiga, que vivia outras dificuldades amorosas e não era capaz de retribuir os sentimentos dele. Enquanto convivia com essa decepção, foi escolhido como orador da turma na formatura, para a qual estava bastante preparado. Saía-se muito bem até avistar um rapaz desconhecido se sentar ao lado de sua amada e beijá-la. Uma leve tontura atrapalhou um pouco o discurso, que teve de ser diminuído para que aquela humilhação terminasse logo. Assim, a festa perdeu qualquer importância para Pedro, já que não se interessava por nada que acontecesse ali. Foi quando subiu ao palco um antigo professor do colégio, homenageado da festa. Não demorou muito para Pedro perceber que se tratava do mesmo senhor que conheceu dois anos antes numa ocasião desesperadora, considerado o valor que damos a certas situações quando adolescentes.

Aqueles não seriam os únicos encontros que teria com Nabuco, o professor. Já na faculdade de História, Pedro se viu numa crise: será mesmo que fez a escolha certa? Apesar de gostar das matérias, era suficiente para que seguisse a vida baseado nelas? As dúvidas o levaram a pedir ajuda a um de seus professores, que indicou outra pessoa para tentar resolver tamanho impasse, alguém que já tinha feito mais do que isso por ele.


Encontro com Shakespeare

Às vezes, a pressão exercida sobre os jovens em época de vestibular, por todos os "membros da sociedade", pode interferir nas decisões. Pode também passar despercebida, deixando o aluno tranqüilo em relação à sua escolha quando, na verdade, a identificação jamais foi suficiente. Talvez tenha sido o caso de Pedro: sua segurança enfeitou o curso escolhido por um bom tempo.

Um encontro foi marcado e novamente o rapaz não demorou a reconhecer que era ele, Nabuco, quem aparentemente o destino queria que permanecesse em sua vida. A antipatia inicial do professor o incomodou um pouco, mas havia algo ali que não dispersava seu interesse. Para saber se ele deveria ser mesmo historiador, Nabuco lhe pediu uma tarefa com a intenção de entender o estudante como pessoa, não como profissional. "Para saber se realmente é o caso de o senhor abandonar a faculdade e, se for, que nova profissão o faria feliz."

A tarefa escolhida foi ajudar o professor numa pesquisa sobre as frases-chave em três obras de Shakespeare. Aceito o desafio, apesar de não ter vontade de ler algo que não conseguia entender, Pedro foi além do solicitado (mesmo não encontrando qualquer frase-chave) — o que fez com que o professor o convidasse para outra pesquisa, desta vez sobre a natureza humana. É neste ponto que Nabuco passa a ver em Pedro alguém capaz de superar até dores de extrema intensidade para chegar onde quer.

A nova união surgiu, algo que, logo nas primeiras semanas, já era possível suspeitar que se transformaria numa relação entre mestre e discípulo. Mas nada disso teria início se Pedro não fosse alguém capaz de acreditar que algum tipo de salvação, talvez uma inspiração, pode ser encontrado no próximo. E disso nasceu uma belíssima nova etapa da pesquisa. Primeiramente de superação de egos, de ambas as partes, para que, depois de caídas as máscaras, a verdadeira experiência de vida ajudasse o jovem como ele no fundo precisava — o que não impediu, muito pelo contrário, a possibilidade de surgir um novo amor na vida de Pedro enquanto fazia seu trabalho. Terá sido ele um daqueles jovens movidos a decepções amorosas ou alguém que se alimenta de amores idealizados? Ou não?

Qualquer inspiradora resposta é possível encontrar no texto de Rodrigo Lacerda, dentro ou fora das entrelinhas – e de tudo o que deveria motivar as pessoas a entenderem o que a vida pode ser, se fizermos da procura incansável uma aliada da sabedoria.



lundi 19 janvier 2009

A Arte Renascentista

INTRODUÇÃO 

Na medida em que o Renascimento resgata a cultura clássica, greco-romana, as construções foram influenciadas por características antigas, adaptadas à nova realidade moderna, ou seja, a construção de igrejas cristãs adotando-se os padrões clássicos e a construção de palácios e mosteiros seguindo as mesmas bases. 


ARQUITETURA 

Os arquitetos renascentistas perceberam que a origem de construção clássica estava na geometria euclidiana, que usava como base de suas obras o quadrado, aplicando-se a perspectiva, com o intuito de se obter uma construção harmônica. Apesar de racional e antropocêntrica, a arte renascentista continuou cristã, porém as novas igrejas adotaram um novo estilo, caracterizado pela funcionalidade e portanto pela racionalidade, representada pelo plano centralizado, ou a cruz grega. Os palácios também foram construídos de forma plana tendo como base o quadrado, um corpo sólido e normalmente com um pátio central, quadrangular, que tem a função de fazer chegar a luz às janelas internas

"Hospital Tavera" Alonso de Covarrubias -- Toledo, Espanha

"Praça do castelo de Vigiano" Bramante -- Lombardia, Itália

ESCULTURA 

Pode-se dizer que a escultura é a forma de expressão artística que melhor representa o renascimento, no sentido humanista. Utilizando-se da perspectiva e da proporção geométrica, destacam-se as figuras humanas, que até então estavam relegadas a segundo plano, acopladas às paredes ou capitéis. No renascimento a escultura ganha independência e a obra, colocada acima de uma base, pode ser apreciada de todos os ângulos. 
Dois elementos se destacam: a expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma figura humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas; e as expressões das figuras, refletindo seus sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, o nu volta a ser utilizado refletindo o naturalismo. 
Encontramos várias obras retratando elementos mitológicos, como o Baco, de Michelangelo, assim como o busto ou as tumbas de mecenas, reis e papas.
"Busto de Lourenço de Médicis" Michelangelo

"Estátua Eqüestre" Donatello -- Piazza do Santo, Pádua
PINTURA 

Duas grandes novidades marcam a pintura renascentista: a utilização da perspectiva, através da qual os artistas conseguem reproduzir em suas obras, espaços reais sobre uma superfície plana, dando a noção de profundidade e de volume, ajudados pelo jogo de cores que permitem destacar na obra os elementos mais importantes e obscurecer os elementos secundários, a variação de cores frias e quentes e o manejo da luz permitem criar distâncias e volumes que parecem ser copiados da realidade; e a utilização da tinta à óleo, que possibilitará a pintura sobre tela com uma qualidade maior, dando maior ênfase à realidade e maior durabilidade às obras.


 
"Adão de Albrecht Dürer, Museu do Prado -- Madri



MONALISA "Monalisa" de Leonardo da Vinci, Museu do Louvre - Paris
Em um período de ascensão da burguesia e de valorização do homem no sentido individualista, surgem os retratos ou mesmo cenas de família, fato que não elimina a produção de caráter religioso, particularmente na Itália. Nos Países Baixos destacou-se a reprodução do natural de rostos, paisagens, fauna e flora, com um cuidado e uma exatidão assombrosos, o que acabou resultando naquilo a que se deu o nome de Janela para a Realidade. 

As obras abaixo são de Antonio Allegri (Corregio) e refletem bem o espírito do renascimento, caracterizadas por elementos que remontam ao passado clássico, elementos religiosos e por grande sensualidade, destacando a perfeição das formas e a beleza do corpo, junto a presença de anjos.


"Danae" Galeria Borghese

"Júpiter e Io" Kunsthistoriches Museum -- Viena

 
"Nossa Senhora da Cesta" national Gallery -- Londres


"Noli me Tangere" Museu do Prado -- Madri

jeudi 8 janvier 2009

Frasi







Meglio stare con diavolo di essere con i farisei
(Bianca Drummond)

Poesie






"Le Poesie sono contenute in questa categoria. Quelle più romantiche, piùemozionanti, ma anche le più famose(come pure quelle anonime e dialettali), sono catalogate per autore e per argomento (vedi sotto!).
Non mancano chicche come gli Haiku o gli acrostici e pagine dedicate agli amanti delle 
filastrocche."
(Pensieri Paroli)

La vita è un tiro alla fune, non importa da che parte stai, la cosa importante è non essere la fune.